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domingo, 23 de abril de 2017

Você tem medo de baratas? Então você sofre de catsaridafobia



Catsaridafobia ou katsaridafobia

É um fato que as baratas sobreviverão mais que seres humanos, já que essas criaturinhas fofas podem resistir 2000 vezes mais aos níveis de radiação que nós suportamos, e também podem passar dias sem comida (e sem cabeça). Tais fatos não vão ser encorajadores para as pessoas que sofrem de fobia de barata.

O nome dado ao medo de baratas é Catsaridafobia.




Causas de Catsaridafobia

Muitas pessoas se sentem desconfortáveis ou com medo na presença de insetos e bichos como baratas. Baratas são conhecidas por habitar lugares escuros e quentes que tem abundância de alimentos. Muitas vezes, durante a noite ou na ausência de luzes, elas acidentalmente engatinham sobre a nossa pele. Isso pode evocar medo profundo ou resposta de repulsa. Tal resposta é geralmente evolutiva; nossos ancestrais pré-históricos foram programados para ficar alertas para estas situações quando dormiam em cavernas e em campo aberto.

Muitas vezes, o indivíduo catsaridafóbico pode ter tido uma experiência negativa ou traumática com baratas no passado. Crianças podem ter sido punidas ou trancadas em armários ou espaços escuros, onde tais criaturas tendem a se esconder. Essas crianças têm uma maior possibilidade de desenvolver fobia de barata. Adultos que expressam muito medo com ao ver uma barata também podem passar sem saber seu medo às crianças que estão a observá-los.

A maioria dos casos de infância de Catsaridafobia resolvem-se ao longo do tempo. Em alguns casos, porém, a fobia pode persistir na vida adulta.
Os sintomas da fobia de baratas

O medo de baratas, muitas vezes leva a transtorno obsessivo compulsivo. O fóbico tenta limpar sua casa cuidadosamente para garantir a defesa contra essas criaturas. Também pode ocorrer a aplicação constante de inseticidas em casa e carro, varrer e escovar tapetes e carpetes, ou limpeza de cozinhas e banheiros de forma excessiva para impedir a visita das baratas são alguns sinais de Catsaridafobia.

Além disso, alguns sintomas físicos da fobia de baratas são:
Tornar-se “paralisado” ou ficar congelado
Chorar e gritar
Sentir-se tonto ou fraco nos joelhos
Desmaios
Ritmo cardíaco elevado
Respirar rapidamente
Ter um ataque de pânico onde se sente sufocado
Dores no peito
Tratamentos para Catsaridafobia – Como perder fobia de barata

A boa notícia para as pessoas com fobia de baratas é que ela pode ser superada. Muitas terapias estão disponíveis hoje para ajudar alguém a superar diferentes tipos de fobias específicas.

Dessensibilização gradual ou terapia de exposição é um dos métodos mais comuns de superar zoofobias como Catsaridafobia. Isso inclui olhar fotos de baratas, tocar uma barata morta (sua careta agora é compreensível) e progredir gradualmente para estar no mesmo quarto que as baratas sem experimentar um ataque de pânico.




Hipnoterapia é outra maneira eficaz de superar Catsaridafobia. Ele pode ajudar a se aprofundar na origem de seu medo e mudar seus pensamentos sobre baratas.

A terapia cognitivo comportamental e psicoterapia também podem ajudar a racionalizar e perder o medo de baratas.

O que funciona para uma pessoa pode nem sempre funcionar para outra. Por isso, é essencial discutir o medo com um profissional abertamente e sem se sentir constrangido. Desta forma, a linha certa de tratamento pode ser decidida, agilizando o processo de superação da Catsaridafobia de uma vez por todas.

sábado, 1 de abril de 2017

Ao cortar cebola ela chora !!!





Todo mundo já verteu lágrimas ao descascar e cortar uma cebola, mas por que isso acontece? A explicação é simples: compostos da cebola se misturam e produzem ácido sulfúrico, que faz os olhos arderem e lacrimejarem. 


As cebolas (Allium cepa) contêm compostos de enxofre responsáveis pelo seu forte cheiro e também uma elevada concentração de aminoácidos, dentre as quais se destaca a cisteína (que contém enxofre). No entanto, cebola não tem cheiro se não for cortada e, quando isso ocorre, a ruptura das paredes celulares provoca o contato entre os aminoácidos e as enzimas presentes em outras células, o que dá início a uma diversidade de reações químicas que conduzem à àformação de compostos de enxofre voláteis, como o disulfureto de alilopropila (C6H12S2).


Esta substância, muito volátil, chega rapidamente aos nossos olhos e entra em contacto com a água (lágrimas). Então, ocorre mais uma reação química que a transforma em ácido sulfúrico. Isso mesmo, em contato com os olhos ocorre formação de um ácido extremamente forte. Este é o motivo da ardência nos olhos.


Para evitar a ardência e o chororô há vários truques como lavar a cebola, usar um palito de fósforo na boca ou picar a cebola embaixo d'água. O princípio de todas é o mesmo, evitar que o gás chegue aos olhos. Segundo o especialista, o fósforo não funciona, já que também tem enxofre. Assim, as dicas são: 1. Cortar cebola com ventilador ligado. Isso afasta de nossos olhos as substâncias voláteis produzidas pela cebola; 2. Molhar as mãos antes de cortar a cebola. As substâncias encontrarão água antes de chegar aos olhos; 3. Mergulhar a cebola em água quente por pelo menos cinco minutos para desnaturar suas enzimas. O problema ocorre quando a cebola terá que ser utilizada em salada; 4. Pelo mesmo motivo, cortar cebola em água corrente. Esta é a melhor opção de todas!
Resposta fornecida por Luiz Henrique Ferreira, professor de química da Ufscar (Universidade Federal de São Carlos ).

quarta-feira, 29 de março de 2017

E esse cheirinho de terra molhada de onde vem?









Uma das coisas que mais gostava ao visitar minha avó no interior de São Paulo nas férias de janeiro era o cheiro da chuva no fim da tarde. Parecia mais intenso lá. E uma coisa que sempre me intrigou era como eu sentia o cheiro antes mesmo de começar a chover. Se o cheiro era de chuva, por que aparecia antes? Apenas na graduação fui entender que era o cheiro de uma guerra microbiana.


Assim como o DMSP dá o cheiro de mar, existe um composto químico que dá o cheiro característico de terra úmida que reconhecemos facilmente. Seu nome é geosmina, literalmente cheiro de terra. Uma série de bactérias, algas e fungos a produzem, e um dos propósitos que se imagina que ela tenha é o de controle de inimigos, matando concorrentes que atrasam o crescimento destes microrganismos. Por isso mesmo seria liberada pouco antes de chover, de maneira que a água a espalhe junto de outras substâncias com a mesma finalidade.

Esta mesma geosmina produzida por algas marinhas pode se acumular nos tecidos de vários peixes, dando aquele gosto de terra na carne. Como ela não é levada facilmente pela água, não adianta lavar a carne que não sai. Produzida por bactérias de solo, pode se acumular em beterrabas e no vinho, onde também dá o mesmo gosto. Uma das maneiras de eliminar o sabor de terra de vegetais e carnes é usar vinagre, já que o pH ácido degrada rapidamente a geosmina.

Curiosamente, por mais que o cheiro de chuva seja atraente para nós, pode ser muito mais essencial para os camelos. , camelos devem saber localizar água a quilômetros de distância pela geosmina liberada por bactérias que crescem no solo úmido de oásis, e ao beberem a água ajudam a dispersar seus esporos para outros locais, perpetuando uma simbiose.

Mais certa do que a atração dos camelos pelo cheiro da geosmina é o apelo que ela tem para insetos. Se nós já associamos umidade e chuva a esse cheiro, imagine o efeito que ele tem em regiões desérticas. Tão grande que alguns cactos que têm flores diurnas – as noturnas geralmente são polinizadas por morcegos – produzem geosmina para atrair insetos polinizadores, usando o cheiro de umidade para enganá-los.

Se,  entender fenômenos naturais através da ciência só os torna mais belos e complexos, da próxima vez em que alguém mencionar que gosta do cheiro de chuva ou terra molhada, você já sabe muito mais sobre o que está envolvido em uma situação tão comum. De camelos a besouros, todo mundo gosta do cheiro de chuva. Menos na comida.

Alan Calvet é Biólogo e Prof

domingo, 26 de março de 2017

Você consegue passar uma semana sem celular?






Quando eu acordo, a primeira coisa que eu faço é pegar o celular. Primeiro, claro, para desligar o despertador. Mas, depois disso, eu continuo com ele na mão para olhar o Facebook, checar os emails, ver fotos bonitas no Instagram... Isso por uns 15 minutos, até eu criar coragem de sair da cama e começar o dia.

Assim como para boa parte das pessoas, o meu celular já virou uma extensão de mim mesma. Ele me acompanha no trabalho, na mesa do bar, no banheiro, no banho, na festa e na cama. Com ele eu pago as contas, tiro fotos da minha gata, converso com os amigos, resolvo treta do trabalho e faço compras. Como se não bastasse, eu trabalho com redes sociais, o que faz com que eu passe ainda mais tempo online do que a maioria das pessoas.


Deixei de registrar muitas cenas maravilhosas como essa!

Por isso, achei que seria uma boa ideia passar uma semana longe do meu iPhone. Ele facilita minha vida em muitos sentidos, mas eu percebi que ficar o tempo todo com ele estava me causando ansiedade e estresse. Estar online o dia todo é como estar em uma sala cheia de pessoas falando o tempo todo e o ruído pode se tornar enlouquecedor.

Como eu sou Social Media, ficar totalmente ausente das redes sociais não era uma opção. Então, a regra foi usar as redes sociais só em horário comercial e, fora do escritório, não usar celular nem computador.

Tchau, celular!
Segunda-feira

No domingo à noite, entreguei o aparelho para o meu namorado, André, e pedi para que ele me devolvesse somente na segunda-feira seguinte. Ir para a cama sem o iPhone foi um pouco entediante, então peguei um livro da estante e em menos de 10 minutos caí no sono.

O medo de estar sem meu celular foi tão grande que durante a noite eu tive inúmeros pesadelos em que eu perdia compromissos ou me atrasava por estar sem celular. Fui acordada pelo André e, sem conseguir levantar da cama imediatamente, fiz alguns alongamentos. Com certeza, muito melhor para a saúde do que ver fotos de comida, paisagem e #lookdodia.

Imagens reais do alongamento matinal

No trabalho, a minha rotina permaneceu a mesma, exceto pela hora do almoço. Eu almoço sozinha quase todos os dias, por isso acabo usando muito o celular enquanto como. Fiquei muito entediada no restaurante e me sentindo sozinha, além de ficar perdida no tempo por não saber o horário – desejei muito ter um relógio de pulso.

À noite, fiz uma janta, assisti TV e às 22 horas já estava na cama. Demorei pouco para cair no sono e dormi muito bem.
Terça-feira

Já tinha me acostumado com a ausência do celular. Na verdade, estava achando bom: dormi melhor, não me atrasei para o trabalho e não me senti estressada em nenhum instante do dia. Ele só me fez falta em dois momentos: para pagar a fatura do cartão de crédito e para tirar uma foto do atestado médico que eu precisava enviar para o RH da empresa.

Como toda terça-feira eu assisto ao MasterChef com o celular na mão e o Twitter aberto, achei que talvez o programa fosse perder parte da graça se eu o visse sem o celular... Não perdeu! Assisti ao programa inteiro e me diverti do mesmo jeito.

Obrigada, Jacquin!
Quarta-feira

Perdi a hora de acordar. À tarde, eu tinha marcado a primeira consulta em um médico e fiquei com medo de não encontrar o endereço sem o Google Maps, mas no fim das contas deu tudo certo!

Na volta, fiquei com vontade de pedir um Uber, mas lembrei que estava sem celular e voltei caminhando. Ficar sem o celular tem suas vantagens, mas não dá para negar que muitas vezes ele facilita o nosso dia a dia.

Sem celular para pedir táxi ou Uber, o jeito foi andar!
Quinta-feira

Pela manhã, precisei ir trabalhar de Uber e tive que pedir para o André chamar pelo celular dele. Comecei a sentir saudades dos meus amigos, que geralmente conversam só pelo WhatsApp. No fim do dia, terminei de ler um livro e comecei mais dois!
Sexta-feira

Não só me acostumei com a ausência do celular, como percebi que quero que ele ocupe cada vez menos tempo da minha vida. Troquei os feeds das redes sociais por livros, me tornei mais presente nas conversas cara a cara e fiquei mais atenta ao meu redor.

Coloquei a leitura em dia!
Fim de semana

Aproveitei o fim de semana para ir ao cinema, fazer aula de dança e tomar um café com uma amiga. Como ela atrasou meia hora e eu estava sem meu Kindle, fiquei sentada em um banco na frente do café vendo o movimento. O tédio me fez prestar atenção em cada detalhe, da roupa de quem passava pela rua até a arquitetura dos prédios ao redor e o cheirinho de café e cigarro.
De volta ao celular

A semana sem celular foi muito importante para eu perceber quanto tempo eu perdia procrastinando nas redes sociais. Decidi desligar as notificações de todos os aplicativos e pretendo manter a rotina de só usar o celular em caso de necessidade.

Vitória! Consegui ficar sem celular por uma semana - e gostei!

***

E você, perde muito tempo do seu dia usando o celular e as redes sociais? Já pensou em fazer esse detox? Conta aí nos comentários!
FONTE(S) 

sexta-feira, 24 de março de 2017

Biologia do Lebiste ou Barrigudinho


O lebiste ou guppy é originário da América do Sul e Central, mais precisamente de estuários localizados em Barbados, Trinidad Tobago, Venezuela, Guianas e porção norte do Brasil. Conhecidos também por Peixe Arco-íris, Barrigudinho, Bandeirinha e Sarapintado encontram-se hoje espalhados por todo o mundo. Antes de ser classificado cientificamente como Poecilia reticulata, o Lebiste já foi conhecido por Girardinus guppyi e Lebistes reticulatus. O nomeGuppy é na verdade o sobrenome de Robert J.L Guppy que foi homenageado pelo naturalista inglês Guenther, que recebeu de Robert os primeiros peixes coletados na América Central no ano de 1860. Já o nome popular Lebiste deriva do gênero Lebistes ao qual pertencia. Pertence a família dos Poecilidae (Poecilídeos) da qual também fazem parte Molinésias, Platys e Espadas.

É um peixe de fácil manutenção sendo recomendado para todos os tamanhos de aquáriosdesde que obedecidas suas necessidades básicas como pH e temperatura. É interessante observar o número de fêmeas que deve ser maior que o de machos, na razão de 3:1.


Reprodução do Lebiste
As fêmeas desta espécie não depositam ovos, mas sim dão à luz filhotes prontos. São classificados então como peixes ovovivíparos.

Os machos diferenciam-se das fêmeas pela cauda, que é bem maior, pela coloração mais intensa, e pela presença do gonopódio, uma estrutura semelhante a um pequeno tubo localizada na região ventral. Esta estrutura possibilita a transferência dos gametas masculinos para dentro da fêmea, possibilitando a fecundação interna. Já as fêmeas apresentam uma mancha na parte ventral, próxima a cauda, que se torna mais escura quando os ovos começam a se desenvolver. Quando os filhotes estão a ponto de nascer esta mancha torna-se mais “baixa”, a fêmea apresenta-se muito barriguda e com a respiração ofegante.

Para reproduzi-los é aconselhável 3 a 5 fêmeas para cada macho. Esta espécie, assim como acontece com outros peixes ovovivíparos, não apresenta cuidado parental, ou seja, os pais não cuidam dos filhotes após o nascimento. Além disso a permanência dos pequenos alevinos junto com exemplares adultos, inclusive a própria mãe, pode ser desastrosa, já que tendem a ser devorados. Em função disso as fêmeas grávidas podem ser postas em criadeiras individuais onde, logo que nascem, os filhotes são separados da mãe. Recomenda-se um aquário com cerca de 15 a 20 litros de água e que contenha plantas naturais como Elodea,Cabomba, Sagitária e a Samambaia d’água, para que os alevinos, ao passarem por entre as frestas da criadeira, possam se refugiar. O período de gestação varia de 20 a 30 dias. Os filhotes devem ser alimentados com ração para alevinos durante o primeiro mês de vida.

Aos dois meses de idade já é possível a diferenciação de machos e fêmeas, que estão prontos para a reprodução. Nesta fase já podem ser alimentados com outras rações de preferência em flocos. Para um desenvolvimento mais adequado, é recomendado permitir a reprodução somente a partir dos quatro meses de idade.

Uma característica bastante interessante é a capacidade que as fêmeas têm de armazenar o esperma dos machos por um longo período, podendo ter mais de 3 gestações seguidas sem a presença do macho para nova fecundação. Esta característica é muito importante quando se pretende fazer cruzamentos específicos entre machos e fêmeas escolhidos previamente. Para obter o resultado esperado neste cruzamento, é necessário primeiramente “limpar” a fêmea, ou seja, mantê-la sem contatos com machos durante um período de 6 meses, para que ela acabe com um possível estoque de esperma de outro macho.

Para o sucesso da reprodução do guppy devem ser observadas boas condições ambientais, como temperatura em torno de 28 ºC e pH próximo a 7,2.

Com os devidos cuidados e um pouco de atenção diária o lebiste certamente deixará seu aquário mais alegre e muito colorido.

Controle Biológico da Dengue : Peixe barrigudinho




O lebiste ou guppy é originário da América do Sul e Central, mais precisamente de estuários localizados em Barbados, Trinidad Tobago, Venezuela, Guianas e porção norte do Brasil. Conhecidos também por Peixe Arco-íris, Barrigudinho, Bandeirinha e Sarapintado encontram-se hoje espalhados por todo o mundo. Antes de ser classificado cientificamente como Poecilia reticulata, o Lebiste já foi conhecido por Girardinus guppyi e Lebistes reticulatus. O nomeGuppy é na verdade o sobrenome de Robert J.L Guppy que foi homenageado pelo naturalista inglês Guenther, que recebeu de Robert os primeiros peixes coletados na América Central no ano de 1860. Já o nome popular Lebiste deriva do gênero Lebistes ao qual pertencia. Pertence a família dos Poecilidae (Poecilídeos) da qual também fazem parte Molinésias, Platys e Espadas.
Conhecido como lebiste selvagem ou barrigudinho, o peixe é bem pequeno: mede apenas quatro centímetros, mas revelou-se uma arma importante no combate à dengue. Ele se alimenta das larvas deixadas pelo mosquito e interrompe o ciclo de reprodução do inseto. Na cidade, a prefeitura despeja o animal em piscinas sem uso e em tanques, onde não é possível larvecidas.








Peixe é usado como alternativa no combate à
dengue em Alfenas (MG) (Foto: Reprodução EPTV)

"Ele é um animal que realmente se alimenta dessas larvas e pulpas. A vida dele, por exemplo, é em torno de um ano e meio, dois anos. É um animal pequeno, tem poucos centímetros, são 2, 3, 4 centímentos no máximo, no caso das fêmeas. O macho é um pouquinho menor. E a característica dele é sobreviver em locais com muita matéria orgânica e com uma quantidade de oxigênio um pouco mais reduzida do que outros peixes poderiam sobreviver".

 O  lebiste é um método de combate mais barato e ecológico, já que um peixe consegue comer até 100 larvas do mosquito. "Em alguns locais que se tem colocado, a eficácia dele é boa. Desde que não tenha interferências. A gente coloca em um determinado local, se as pessoas jogarem algum produto químico ou cobrirem o local, realmente pode ter a mortandade desses animais, mas ficando em um local praticamente ao natural, ele consegue sobreviver constantemente".




Na empresa do Antônio Carlos dos Reis, o tanque é usado para lavar peças, mas a água parada sempre foi motivo de preocupação. “Se não tivesse os peixinhos, eu não poderia ter isso aqui. Teria que estar tampado", comentou.

Já para o coordenador da Vigilância em Saúde, Denis de Oliveira Rodrigues, é importante também não descuidar do mosquito da dengue e das outras formas de prevenção, já que o peixe é usado onde os outros meios de combate não atuam.

"O controle biológico é uma medida alternativa nos lugares onde a gente não tem tanta condição de utilizar veneno ou fazer a eliminação do criadouro. A medida em casa é eliminar a água parada. Não deixar água nos pratos de plantas, vasos de plantas, eliminar a água das calhas, deixar caixas d'águas tampadas".
Peixes são colocados em tanques para evitar a proliferação do mosquito (Foto: Reprodução EPTV)

Alan Calvet,Biólogo e Professor com experiência em saúde pública e docente a mais de 15 anos.

domingo, 29 de janeiro de 2017

ABELHAS,IMPORTÂNCIA ECONÔMICA E EXTRATIVISMO SUSTENTÁVEL









Todo o pequeno agricultor deve manter uma colmeia em sua propriedade para aumentar a produtividade das culturas tradicionais, como milho e feijão.

 Em propriedades com presença de abelhas a produtividade dos alimentos dá um salto significativo. Segundo o especialista, elas são insetos que cumprem importante papel na polinização da maioria das plantas das quais a humanidade se alimenta.

 Dois terços da alimentação humana depende da polinização desses insetos para ser produzida. Anualmente calcula-se em U$ 54 bilhões o prejuízo causado para economia mundial em decorrência da deficiência na polinização das plantas cultivadas.

O  físico Albert Einstein disse : “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana.”

 Estudos revelam uma diminuição drástica das populações de abelhas ano após ano. As possíveis causas para são o uso indiscriminado de agrotóxicos, herbicidas e fungicidas, o desmatamento, a poluição, as queimadas e a substituição de florestas nativas por áreas de monoculturas.

Semiárido

No Brasil, a região Nordeste responde por 40% da produção de mel. O País é o nono maior produtor mundial de mel. Os maiores estados produtores são o Ceará, Piauí, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraíba, Alagoas e Sergipe, sendo o primeiro o maior exportador.

Por causa do clima quente e as fartas floradas nas épocas de chuva o Semiárido é uma região propícia para a apicultura e a meliponicultura. A apicultura é a criação de abelhas com ferrão, conhecidas como africanizadas e trazidas de outros lugares para o Brasil, já a meliponicultura é a criação de abelhas sem ferrão, e são as abelhas nativas.



No Brasil, existem mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão, distribuídas por todo o território brasileiro, e em grande parte de toda a faixa tropical e subtropical do planeta. Encontramos meliponídeos nas Américas desde o norte do México até a região central da Argentina.

Sua criação, denominada de meliponicultura, favorece a preservação das plantas nativas, devido à polinização das flores pelas campeiras, abelhas coletoras, além da produção de um mel diferenciado e com características próprias. Ao se movimentarem sobre as flores em busca do pólen, as abelhas promovem a fertilização das plantas, assegurando a sua multiplicação e perpetuação. Seus criadores colhem, indiretamente, os efeitos da polinização: maiores e melhores frutos e sementes, e a produção do mel das colônias, conseqüente desta atividade de coleta.

Além da importância das abelhas nativas na manutenção dos diversos ecossistemas, uma vez que existe um processo evolutivo atrelado e dependente da presença dessas abelhas para a reprodução de diversas espécies vegetais, inúmeras espécies de abelhas sem ferrão existentes no Brasil, apresentam enorme potencial para a produção de mel, como as espécies conhecidas popularmente como tiúba, jandaíra, uruçu, etc.

Apesar do seu potencial produtivo, essas espécies ainda são pouco exploradas comercialmente, considerando seu enorme potencial de criação. Embora a sua capacidade produtiva não possa ser comparada com a produção de mel das abelhas africanizadas, seu mel apresenta maior valor agregado, além da possibilidade de sua criação poder ocorrer próximo das moradias e permitir a participação de todos os membros do módulo familiar, como jovens e mulheres, uma vez que essas abelhas por não apresentarem ferrão, apresentam um grau de periculosidade menor, se comparado com o das abelhas africanizadas.



MANGUEZAIS E CAMPO DE PERI

Além do manguezal, existe uma vegetação típica nos campos alagados, um capim alto ou junco próprio de terreno pantanoso, o Peri. Daí o termo que designa o famoso Campo que margeia os dezenove quilômetros da BR 135 na circunscrição do município de Bacabeira/MA. Peri é o substantivo primitivo de onde deriva a discrepância Perizes. A origem do termo equivocado é desconhecida. Muito provavelmente foi extraída de outro erro: Periz, com “z” no final. Se o termo inicial é Peri, então, segundo a gramática brasileira, forma-se o plural acrescentando-se “s” (e não “z”), resultando, então, o termo Peris. Estaria justificada, assim, a pronúncia Campo de Peris, expressão já usada por muitos.

Os ecossistemas brasileiros possuem muitas características que favorecem a criação das abelhas, como é o caso dos manguezais. Dentre algumas características, podem-se destacar: clima quente; flora rica em espécies fornecedoras de néctar, pólen e resina; floração mais distribuída ao longo do ano e a presença natural de inúmeras espécies de abelhas sem ferrão.

Embora, esse ecossistema apresente inúmeras características favoráveis à criação de abelhas, praticamente não existem estudos que visem à avaliação do seu potencial florístico, como pasto para as abelhas produtoras de mel.

A meliponicultura se enquadra perfeitamente dentro dos conceitos de diversificação e utilização sustentável dos recursos naturais, pois é uma atividade que pode ser integrada ao manejo florestal, plantio de fruteiras e/ou culturas de ciclo curto e, em muitos casos, pode contribuir no aumento da produção agrícola. É uma atividade que necessita de pouco investimento inicial e pode ser desenvolvida em pequenas propriedades rurais, além de permitir que o agricultor ou pescador familiar mantenha suas outras atividades já estabelecidas culturalmente, tendo na nova atividade um complemento de sua renda familiar.

Nas áreas de mangues existentes  as populações locais já vêem explorando as abelhas nativas, embora de modo extrativista e predatório.

Por sua natureza palustre, impeditiva da ocupação humana, durante séculos este ambiente permaneceu relativamente preservado. Entretanto, vem sofrendo agressões pela exploração predatória, através de coleta e captura excessiva de caranguejos, moluscos e pescado, da extração da madeira para uso energético, para obtenção de tanino e material de construção, e do desmatamento para o cultivo de arroz e instalação de salinas.









ESPÉCIES DE ABELHAS E EXPLORAÇÃO DO MEL


A meliponicultura pode ser realizada perto de residências, na cidade ou no campo, uma vez que as abelhas são extremamente dóceis e dificilmente desenvolvem comportamento agressivo.

As espécies mais produtivas são a Uruçu-amarela (Melipona flavolineata); Uruçu-cinzenta (Melipona fasciculata) Jataí ou Mosquito-amarelo (Tetragonisca angustula) (Figura 1). Ainda assim, a quantidade de mel produzida pela meliponicultura é menor em relação à apicultura, variando de 1 a 10 L por enxame por ano, três vezes menor que a produção de mel pela apicultura. Isso ocorre pelo fato destas abelhas serem mais seletivas na escolha do néctar e das flores, o que proporciona ao mel um sabor diferenciado e exótico, contribuindo para um produto de maior valor agregado. Comparado com o mel tradicional, é menos doce, mais fluido (maior umidade) e levemente mais ácido. Embora a produção de mel pelas abelhas sem ferrão seja em menor quantidade, a pouca oferta do produto e o sabor diferenciado tornam o preço até três vezes mais caro quando comparado ao mel tradicional. 


EXTRATIVISMO PREDATÓRIO

A vegetação de mangue, apesar de se constituir num santuário ecológico, vem sendo dizimada gradativamente. Inicialmente, cedeu parte para a instalação de salinas e, atualmente, vem sendo cortada para instalação de roças de arroz, criação extensiva de gado e para a criação intensiva de camarão. Outra pressão que a vegetação do mangue vem sofrendo está relacionada com a atuação dos chamados "meleiros". As árvores com ninhos de abelhas são cortadas, sendo a parte do tronco onde se encontra o ninho levado para a comunidade, onde o mel será usado na fabricação de remédios e garrafadas, utilizadas para a cura de inúmeras enfermidades. Entretanto, na maioria dos casos, apenas a colônia é saqueada para a retirada do mel. Essa prática predatória apresenta um impacto negativo muito grande no ecossistema, uma vez que pela falta de conhecimentos, para a retirada do mel ou mesmo da colônia, as árvores com abelhas são cortadas, e muitas vezes as próprias abelhas morrem, pois, na ânsia de se coletar o mel, são retirados seus discos de crias, sendo simplesmente eliminados, em um verdadeiro saque predatório.

A prática dos "meleiros" pode causar danos irreversíveis na manutenção de inúmeras espécies, pois, diferentemente das abelhas africanizadas que dispõem de aparato defensivo muito eficiente e forte característica enxameatória, as abelhas sem ferrão se mostram muito mais vulneráveis a essa prática predatória, além de apresentarem uma condição de se recuperar após um saque, muitas vezes inferior ao das abelhas africanizadas.

EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS DE FORMA SUSTENTÁVEL


A Embrapa Meio-Norte por meio do Núcleo de Pesquisas com Abelhas - NUPA vem desenvolvendo um projeto de pesquisa, com o apoio financeiro do Banco do Nordeste, por meio do Fundeci, intitulado "Manejo Sustentável de Abelhas Nativas em Área de Resex no Delta do Parnaíba" visando preencher essa lacuna na geração de informações necessárias para a criação de abelhas nativas em manejo racional e sustentável, visando a disponibilização dessa tecnologia para a comunidade local, principalmente para os catadores de caranguejo, como opção de atividade para a geração de renda e consequentemente para a melhoria de suas condições de vida.

Esse projeto tem como um dos objetivos principais o levantamento da flora visitada por essas abelhas e que serve de base para a produção de mel. A identificação e classificação dessa flora específica, assim como a caracterização de seus tipos polínicos servirão de subsídio, juntamente com a análise físico-química dos méis produzidos ao longo do ano, para a devida caracterização desse mel, como forma de agregar valor ao produto final, que terá sua produção e extração devidamente orientada, conforme os preceitos das boas práticas de higiene alimentar.

ALAN CALVET,BIÓLOGO ESPECIALISTA EM SAÚDE PÚBLICA E PROFESSOR DE BIOLOGIA A MAIS DE 15 ANOS.

Iniciação à Meliponicultura: Criação de abelhas sem ferrão.




Assim como na apicultura, a meliponicultura é o nome dado à atividade de criação racional de abelhas, que visa aos aspectos econômicos, sociais e ambientais. A diferença está na espécie empregada. Em apicultura, são criadas abelhas africanas, introduzidas no Brasil durante o período colonial, já na meliponicultura, utilizam-se espécies chamadas meliponíneos, nativas do Brasil. Outro diferencial é que a atividade pode ser exercida por jovens, mulheres e idosos, pois não exige esforço físico e seu manejo é muito simples. É necessária a utilização de roupas especiais, na manipulação da espécie Melipona flavolineata, com o uso de um véu sobre o rosto. A meliponicultura pode ser realizada perto de residências, na cidade ou no campo, uma vez que as abelhas são extremamente dóceis e dificilmente desenvolvem comportamento agressivo.

As espécies mais produtivas são a Uruçu-amarela (Melipona flavolineata); Uruçu-cinzenta (Melipona fasciculata) Jataí ou Mosquito-amarelo (Tetragonisca angustula) (Figura 1). Ainda assim, a quantidade de mel produzida pela meliponicultura é menor em relação à apicultura, variando de 1 a 10 L por enxame por ano, três vezes menor que a produção de mel pela apicultura. Isso ocorre pelo fato destas abelhas serem mais seletivas na escolha do néctar e das flores, o que proporciona ao mel um sabor diferenciado e exótico, contribuindo para um produto de maior valor agregado. Comparado com o mel tradicional, é menos doce, mais fluido (maior umidade) e levemente mais ácido. Embora a produção de mel pelas abelhas sem ferrão seja em menor quantidade, a pouca oferta do produto e o sabor diferenciado tornam o preço até três vezes mais caro quando comparado ao mel tradicional.



Figura 1. Uruçu-amarela (Melipona flavolineata) (A), Uruçu-cinzenta (Melipona fasciculata) (B) e Jataí (Tetragonisca angustula) (C). Fonte: Adaptado de Wikimédia.

As abelhas melíponas, assim como outros insetos sociais (formigas, cupins, vespas) possuem famílias divididas em castas. Caracterizam-se por não construírem células reais, ou seja, todas as rainhas, operárias os machos, nascem e se desenvolvem, até o estágio adulto, dentro de células de cria de igual tamanho. Além disso, a entrada dos ninhos é localizada no centro, feito por uma estrutura de terra ou de resinas vegetais (geoprópolis).

Nos ninhos de abelhas melíponas, constantemente nascem mais de uma rainha, que são responsáveis pela postura dos ovos e coesão da colônia. Os machos participam pouco das atividades da colônia, tendo como função principal a cópula da rainha durante o voo nupcial. São caracterizados por possuirem uma mancha clara na face. As operárias (ou obreiras) são responsáveis pela maioria dos trabalhos como limpeza, produção de cera, alimentação da rainha, enchimento das células com alimento larval, proteção contra inimigos externos, coleta de recursos (néctar, pólen, resina, barro e fibra) e eliminação dos detritos da colônia; são mais robustas e levemente maiores do que os machos e rainhas virgens. O tempo de vida de um indivíduo adulto pode variar de acordo com o clima e o tipo de atividade que desenvolve. Uma operária do gênero Melipona vive em torno de 40 a 52 dias, já uma rainha pode viver de 1 a 2 anos.

Há duas maneiras de criação das abelhas nativas: cortar partes das árvores com o ninho, levar a peça para o local de produção e extrair o mel ou transferir o ninho da árvore para uma caixa de madeira, mais leve e fácil de manejo (Figura 2).



Figura 2. Ninho de abelha melípona transferido e já estabelecido em caixa de madeira.

Fonte: Casa do Produtor Rural (ESALQ/USP).

É recomendável que a transferência do ninho do tronco oco de uma árvore para a caixa racional é recomendável que seja feita no período matinal, para que as abelhas em vôo retornem para a nova caixa ao anoitecer. Com uma ferramenta especializada para corte de troncos de árvores, é aberta cuidadosamente uma janela no tronco para a retirada do ninho.

É extremamente importante que os favos, especialmente os mais novos (de coloração mais escura), não sofram impactos nem sejam virados de cabeça para baixo, pois corre o risco dos ovos e das larvas ficarem imersos no alimento larval, ocasionando a morte. É necessária também a atenção na posição em que o ninho deve ser colocado na caixa. As abelhas sem ferrão constroem uma estrutura de entrada no ninho, típica para cada espécie (Figura 3). Essa estrutura deve ser colocada na entrada da colmeia; caso seja danificada, pode ser usado um canudo feito com o cerume da colônia.



Figura 4. Caixa racional para criação de abelhas sem ferrão.Fonte: Casa do Produtor Rural (ESALQ/USP).



Figura 5. Vista superior dos componentes da caixa racional: tampa (A), ninho (B), sobreninho (C) e melgueira (D).Fonte: Casa do Produtor Rural (ESALQ/USP).



Figura 6. Vista frontal dos componentes da caixa racional: tampa (A), melgueira (B), sobreninho (C) e ninho (D).

A tampa tem a função de proteger e evitar a contaminação da caixa e do mel. Na melgueira ocorre o depósito do mel, porém existe uma lâmina de separação que serve para criar um andar de depósito de alimento (potes de mel e pólen). A lâmina pode ser feita de chapa fina de madeira ou acrílico e deve conter orifícios para a passagem das abelhas de um andar para outro. No ninho e sobreninho estão os discos de cria, onde ocorre a produção e estabelecimento de abelhas.

Para a criação da espécie Jataí (Tetragonisca angustula) é utilizada as dimensões de 12 x 12 x 5 cm para o ninho e sobreninho, e na melgueira 12 x 12 x 3 cm. Ainda no ninho, deve existir um orifício central com espessura de aproximadamente 0,6 cm de diâmetro para a entrada das abelhas nas caixas. O ideal é que a espessura da madeira para a confecção da caixa toda seja de 2 cm.

Para a confecção da caixa é importante verificar as condições físicas da madeira, de forma que não esteja úmida, pois podem atrair insetos, bactérias e fungos que são prejudiciais às melíponas, além disso, deve ser resistente a cupins e, se possível, não muito pesada. As melhores madeiras para a confecção das caixas são o cedro e o mogno, mas várias outras espécies florestais podem ser utilizadas, como o lourinho, andiroba, marupá, louro-faia, angelin, entre outras. Recomeda-se que seja pintada, de preferência com tinta acrílica, que é solúvel em água e bastante resistente. A finalidade da pintura é aumentar o tempo de vida útil da caixa.

É importante também o preparo de armadilhas para o forídeo, moscas inimigas naturais das abelhas e que podem atacá-las, matando-as e diminuindo a produção do ninho. Para isso, deve ser colocada no interior da caixa uma armadilha que consiste num frasco com capacidade aproximada de 40 ml contendo vinagre, de preferência de vinho tinto, com uma tampa furada, com um ou mais furos, de tal forma que permita somente a passagem das moscas. Outra armadilha deve também ser colocada na parte externa da caixa, com um frasco sem tampa contendo vinagre para que as moscas sejam atraídas pelo odor azedo e se afoguem no líquido.

Além dos forídeos, outros inimigos naturais podem prejudicar a meliponicultura. Formigas, escorpiões, lagartixas e grilos podem destruir caixas mal fechadas, assim como, tamanduás, gambás, iraras e outros mamíferos que podem atacar especialmente durante a noite. Uma das principais recomendações é manter as caixas próximas às residências, ou manter um cão de guarda nas proximidades.

A colheita do mel deve ser realizada quando se observar a melgueira quase ou completamente cheia, abrindo a tampa da caixa. Os potes de mel devem ser coletados para a extração do mel e em seguida higienizados e guardados separadamente para que possam ser devolvidos posteriormente para as abelhas. O melhor local para o armazenamento do mel é a geladeira, pois pode fermentar com facilidade, em recipientes de vidro ou plástico bem limpo e esterilizado, para não haver contaminação ou alteração no gosto do produto.

Na impossibilidade de refrigeração do mel, é recomendada a pasteurização, sendo necessário embalar o produto em potes hermeticamente fechados e imergindo em uma panela com água a 75°C por aproximadamente dez minutos. Dentro da panela é necessário que se tenha uma grade metálica no fundo para evitar que o pote fique em contato direto com o excesso da fonte de calor. A temperatura pode ser medida com um termômetro utilizado para fabricação de queijo.





Fontes consultadas

PEREIRA, F. M.; Abelhas sem ferrão: transferência de ninhos para colmeias racionais - Teresina: Embrapa Meio-Norte, 2009. 12p.

NOGUEIRA-NETO, P.; N 778v Vida e Criação de Abelhas indígenas sem ferrão. — São Paulo: Editora Nogueirapis, 1997. 445 p.

VENTURIERI, G. C.; Meliponicultura I: Caixa Racional de Criação. Comunicado Técnico da Embrapa Amazônia Oriental, Belém – PA, n. 123, p. 1-3, 2004.

VENTURIERI, G. C.; Criação de abelhas indígenas sem ferrão / Giorgio Cristino Venturieri. - 2. ed. rev. atual. - Belém, PA: Embrapa Amazônia Oriental, 2008. 60 p.

Elaborado por

Casa do Produtor Rural

Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP



Nome do estagiário

Luana Machado Simão

Graduanda em Engenharia Agronômica

Estagiária - Casa do Produtor Rural - ESALQ/USP



Foto de capa: Larissa Barbieri - Casa do Produtor Rural (ESALQ/USP)



Acompanhamento técnico

Fabiana Marchi de Abreu

Engenheira Agrônoma

CREA 5061273747

Casa do Produtor Rural



Coordenação editorial

Marcela Matavelli

Agente de Comunicação

DRT 5421SP

Casa do Produtor Rural

ALAN CALVET,BIÓLOGO ESPECIALISTA EM SAÚDE PÚBLICA E PROFESSOR DE BIOLOGIA A MAIS DE 15 ANOS.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Café : O lado bom e o ruim


Benefícios do café:

1) O café pode reduzir em até 50% as chances de diabetes. A cafeína melhora a sensibilidade de células relacionadas à insulina (hormônio que ajuda na absorção de glicose pelo organismo)

2) A cafeína pode ajudar a melhorar o seu estado emocional. Seus efeitos podem ajudar no humor, diminuir a fadiga e melhorar a disposição para as atividades diárias.

3) A cafeína melhora o seu desempenho. É comprovado que a cafeína melhora a concentração, memória e, para quem realiza atividades físicas, é altamente recomendável tomar uma dose de café antes dos exercícios aeróbicos para dar maior energia e disposição.

4) O café tem efeitos benéficos sobre a circulação. Apesar de que em excesso o café causa a contração de veias e artérias, dificultando a circulação sanguínea e acelerando o coração, seu uso controlado pode ser usado em tratamentos de enxaqueca pelo mesmo efeito.

5) O café pode ajudar em alguns distúrbios do cérebro. Apesar de causar ansiedade quando em excesso, levando também a distúrbios do sono, estudos apontam que tomar café pode ajudar a evitar problemas como o mal de Parkinson e a depressão. No caso da depressão, atuando como um antidepressivo leve, o café ajuda na produção de determinados neurotransmissores (serotonina, dopamina e noradrenalina).

6) O café é benéfico para homens e mulheres. Uma das vantagens para ELES é a diminuição de um problema muito incomodo, que atinge muitos homens: a disfunção erétil. Como ajuda a relaxar os músculos e artérias dos genitais, o fluxo sanguíneo é aumentado, e então a ereção pode melhorar. Para ELAS, a cafeína pode ser uma grande aliada aos sintomas da TPM.

7) O café pode ajudar a prevenir alguns tipos de câncer. Alguns estudos apontam que bebendo algumas doses de café diariamente é possível prevenir o câncer endometrial e de pele.

8) A cafeína pode ajudar a melhorar o sono. Por mais estranho que pareça, um estudo aponta que, como a cafeína têm maior efeito após 30 minutos do consumo (com seu pico máximo após 1 hora), se você tirar uma soneca por 20 minutos, acordará cheio de energia. Então, se você está com sono e quer espantá-lo, uma ótima tática é tomar o cafezinho e cochilar antes de seu efeito acontecer.


Malefícios do café:

1) A cafeína causa efeitos sobre o sistema nervoso. É comum que pessoas que consomem muito café tenham problemas de ansiedade, irritabilidade, agitação, insônia, dor de cabeça, dentre outros. Pessoas que já possuem problemas do tipo ou que estão passando por períodos estressantes, são recomendadas a diminuir drasticamente o uso de café.

2) A cafeína causa dependência. Tomar café com demasiada frequência, não apenas causa dependência química, como também física. Ao parar de consumir café, muitas pessoas sentem sintomas desagradáveis, como dores de cabeça, náuseas e problemas estomacais

3) A cafeína pode causar desidratação. Por seu efeito diurético, em atividades prolongadas, a cafeína ajuda com que a perda de líquido seja ainda maior. Então, se for tomar café e se exercitar logo em seguida, beba muita água, ok?

4) O café expresso aumenta os níveis de colesterol. Por possuir cafestol, uma substância que interfere com os receptores do intestino responsáveis pela absorção do colesterol “ruim”, é recomendado que se dê preferência ao café coado. O filtro de café retêm essas substâncias.

5) O excesso de café altera o sistema circulatório. Por seu efeito vasoconstritor, eleva a pressão sanguínea e pode causar arritmia. Por isso, é ainda menos recomendado o uso em altas doses para quem tem problemas cardíacos.

6) O excesso de café pode causar osteoporose. A cafeína dificulta a absorção de cálcio pelo intestino, o que, com o tempo, acarreta a doença.

7) A cafeína aumenta os problemas gástricos. Irritando o sistema digestório, principalmente quando tomado em jejum, o café piora os quadros de gastrite e refluxo.

8) Gestantes e crianças devem tomar café moderadamente. O uso indiscriminado de café pode acarretar sérios problemas na gravidez, inclusive aumentar os riscos de aborto. Crianças, por possuírem um sistema neurológico mais sensível, devem tomar meia xícara de café. Em pequenas doses, o café pode até ser benéfico para crianças com déficits de atenção.

Pois é, como qualquer droga, o café têm suas vantagens e desvantagens. O uso moderado pode ajudar na saúde e bem-estar. Mas passar dos limites, como em qualquer outra coisa, não é recomendado. Lembre-se, seu corpo precisa de equilíbrio. Não exagere! Beba com moderação!

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Diário de Biologia e Amantes da Biologia juntos: Tomar café com estômago vazio...




Muita gente é incapaz de sair de casa sem tomar um cafezinho e muitas dessas pessoas fazem isso de estômago vazio. Um grande erro! Por causa da cafeína, beber café puro com o estômago vazio é uma maneira rápida de estimular a liberação dos ácidos estomacais. A longo prazo a pessoa pode até desenvolver uma gastrite crônica e quem já sofre com problemas de estômago, pode sentir este efeito muito mais rápido. O suco gástrico – composto principalmente de ácido clorídrico e enzimas – é o responsável por fazer a “quebra” do alimento ingerido, tornando o meio ácido ideal para a atuação das enzimas do suco por causa de seu pH que não passa de 2.

A verdade é que quando o café atinge o estômago vazio seu estômago irá estimular todo o processo de digestão e irá causar dificuldades na digestão de proteínas. Se as proteínas não forem processadas completamente, elas podem criar vários problemas do sistema digestivo como a irritação, a inflamação intestinal e o inchaço. A longo prazo a pessoa pode apresentar sinais de desnutrição como perda da massa muscular, pele descamativa, perda da qualidade dos cabelos e inchaço em pernas. A imunidade fica comprometida e infecções persistentes podem aparecer. Na verdade, isto pode ser tão grave que pode também desenvolver Acrodermatite Enteropática, Doença de Chron, Retocolite Ulcerativa. Um estudo publicado no periódico “New England Journal of medicine” concluiu que além de estimular a produção do suco gástrico, é possível que a cafeína prejudique o funcionamento esfíncter esofágico inferior e pessoas com úlcera e refluxo jamais deve consumir a bebida.



O café, quando entra no nosso corpo, aumenta os níveis de cortisol – também conhecido como hormônio do estresse – quase que instantaneamente na nossa corrente sanguínea. O cortisol é um hormônio responsável por regular o relógio biológico. Seu excesso pode aumentar a ânsia por açúcar e perturbação dos ciclos do sono.

Assim, se você quer desfrutar dos antioxidantes do “ouro negro” sem o dano na absorção de proteínas e liberação em excesso de cortisol, simplesmente certifique-se de comer alguma coisa antes de tomar café. Beber café de estômago vazio, não!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Qual a diferença entre flor e rosa?







A rosa (do latim rosa) é uma das flores mais populares no mundo. Vem sendo cultivada pelo homem desde a Antiguidade. A primeira rosa cresceu nos jardins asiáticos há 5 000 anos. Na sua forma selvagem, a flor é ainda mais antiga. Celebrada ao longo dos séculos, a rosa, símbolo dos apaixonados, também marcou presença em eventos históricos importantes e decisivos. Fósseis dessas rosas datam de há 35 milhões de anos.


Cientificamente, as rosas pertencem à família Rosaceae, e ao gênero Rosa L., com mais de 100 espécies, e milhares de variedades, híbridos e cultivares. São arbustos ou trepadeiras, providos de acúleos. As folhas são simples, partidas em 5 ou 7 lóbulos de bordos denteados. As flores, na maioria das vezes, são solitárias. Apresentam originalmente 5 pétalas, muitos estames e um ovário ínfero. Os frutos são pequenos, normalmente vermelhos, algumas vezes comestíveis.

Atualmente, as rosas cultivadas estão disponíveis em uma variedade imensa de formas, tanto no aspecto vegetativo como no aspecto floral. As flores, particularmente, sofreram modificações através de cruzamentos realizados ao longo dos séculos para que adquirissem suas características mais conhecidas: muitas pétalas, forte aroma e cores das mais variadas.

Flor: A flor é a parte das plantas classificadas como Angiospérmicas (Divisão Magnoliophyta) onde se encontram os seus órgãos sexuais. A função da flor é assegurar a reprodução. Depois da fertilização do óvulo, a flor transforma-se num fruto, que contém as sementes que irão dar origem a novas plantas da mesma espécie.


sábado, 24 de setembro de 2016

Biologia do rato !!



O Rato (plural: ratos) é uma designação comum para diversos pequenos mamíferos pertencentes à ordem dos roedores, assim como um nome genérico dado a diversos mamíferos roedores pertencentes às famílias Muridae, Cricetidae, Heteromyidae, Diatomyidae e Bathyergidae.

Caracterizam-se por possuir focinho pontudo, orelhas pequenas e arredondadas, e uma longa cauda nua ou quase sem pêlos. As espécies mais conhecidas de rato são o Mus musculus, um típico rato doméstico, Rattus rattus e Rattus norvegicus, por vezes chamados de ratazanas e que habitam esgotos e córregos. Os ratos também são animais de estimação. Já em ambiente silvestre, a espécie mais comum é o ratos-do-campo ou rato do mato, espécie importante para a cadeia alimentar, pois são alimentos de grandes aves como falcões e águias. Os ratos domésticos possuem comportamentos furtivos, onde podem invadir casas e despensas de comida. O americano Peromyscus leucopus e o Peromyscus maniculatus vivem em ambiente não urbano, e são geralmente chamados de camundongos. Esses, assim como outras espécies comuns de rato como roedores existentes em todo o mundo, também podem habitar ambientes humanos. Entretanto, muitos deles são de outro gênero.

Gatos, cães, raposas, corujas, aves de rapina, cobras e até mesmo alguns tipos de artrópodes são os principais predadores dos ratos, principalmente as selvagens. No entanto, por causa de sua notável capacidade de adaptação a quase qualquer ambiente, o rato é um dos mais bem sucedidos entre o gênero mamíferos na Terra atualmente.

Os ratos em alguns contextos são considerados pragas, quando danificam e destroem plantações e silos de armazenamento de grãos, onde também causam danos estruturais danificando fiações, estruturas, além de ser um vetor para diversas doenças, na maioria das vezes transmitidas pelas suas fezes ou através de seus parasitas que com seus hospedeiros como a Yersinia pestis, causam doenças como a peste bulbonica. Além disso, doenças como salmonelose, tifo murinho, escabiose e leptospirose também podem ser transmitidas pelas fezes dos ratos. Na América do Norte, diversos casos onde a vítima apenas respirou o pó gerado pelas fezes do rato, tem sido associada à hantavírus, o que pode levar à Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS).

A maioria dos ratos possuem hábitos noturnos; eles compensam suas limitações visuais com grande senso de audição, e confiam principalmente em seu sentido do olfato para localizar comida e evitar predadores.

Os ratos são os principais animais usado para testes em laboratórios, seja para teste de medicações, como pesquisas mais desenvolvidas como células tronco e cardiológicas.

Os ratos tem capacidade de construir complexos de tocas na natureza ou em ambiente humano. Estas tocas costumam ter longas entradas e estão equipados com túneis/rotas de fuga. Há alguma evidência de um novo estudo que indica que o projeto arquitetônico de uma toca é o resultado do que é pré-escrito no DNA de um rato.

A idade de reprodução de um rato, é de cerca de 50 dias de idade em ambos os sexos feminino e masculino, embora as fêmeas possam ter seu primeiro entre 25 e 40 dias. Ratos possuem ciclo estral durante todo o ano, e a ovulação é espontânea. A duração do ciclo estral é de 4-5 dias e o estro em si dura cerca de 12 horas, ocorrendo durante a noite. Esfregações vaginais ajudam no acasalamentos para determinar a fase do ciclo estral. O acoplamento é geralmente nocturno e pode ser confirmada pela presença de um sphragis na vagina até 24 horas após a cópula. A presença de esperma vaginal também é um indicador fiável de acasalamento.

Camundongos fêmeas quando alojadas juntas tendem a não entrar em ciclo estral. Se exposto a um rato macho ou os feromônios de um rato macho, a maioria das fêmeas vai entrar em cio em cerca de 72 horas. Esta sincronização do ciclo estral é conhecida como o efeito de Whitten. A exposição de uma rata recém-criada aos feromônios de um rato macho desconhecido pode impedir a implantação, um fenômeno conhecido como o efeito Bruce.

O período de gestação média é de 20 dias. Após o parto, cerca de 14–24 horas, o aleitamento é iniciado. A média de indivíduos em uma ninhada é de 10 a 12 indivíduos.

Os roedores são uma das pragas urbanas mais temidas pela população em geral. Não é raro encontrar pessoas que se desesperam ao entrar em contato com um deles. A sensação de pânico que eles causam é bastante conhecida. Instintivamente, demonstramos pavor àquilo que pode ameaçar nossa integridade física, como os ratos ameaçavam na época das cavernas.

São também uma das mais pragas mais bem adaptadas ao convívio humano. Recebem do nosso ambiente tudo o que precisam para sobrevivência: água, abrigo e alimento em excesso. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estima-se uma perda anual de 8 a 10% da produção mundial de grãos por conta do consumo ou estrago provocado pelo contato com urina e fezes dos roedores. Refletindo em prejuízos financeiros, só no Brasil ficaria na ordem de US$ 4 bilhões por ano.

Os roedores podem transmitir diversas doenças, como por exemplo, a leptospirose, a peste bubônica, o tifo murino, sarnas e micoses, entre outras. Por essa razão, o controle de roedores torna-se imprescindível, devendo ser tratado efetivamente como um problema de saúde pública.

Os roedores sinantrópicos (que convivem no mesmo ambiente do homem) são divididos em duas categorias: roedores silvestres e roedores urbanos.

Presentes em todos os continentes, à exceção da Antártica, os roedores constituem a mais numerosa ordem de mamíferos. São mais de 2000 espécies, o que corresponde a cerca de 40% das espécies da classe dos mamíferos. A maior parte é de pequenas proporções, o camundongo-pigmeu Africano tem 6 cm de comprimento e pesa 7 g. Por outro lado, o maior deles, a capivara, pode pesar até 45 kg.

Os roedores distinguem-se dos outros animais pelos seus dentes. Eles possuem um par de dentes incisivos no maxilar superior e um par dos mesmos no inferior, separados dos dentes molares por um longo espaço sem dentes (diastema). Esses animais possuem os sentidos muito apurados, principalmente tato (através dos pêlos), audição, olfato e paladar. A visão, porém, é limitada.

Entretanto, são bastante sensíveis às variações de intensidade luminosa, o que confere aos mesmos capacidade imediata de perceber movimentos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

O que sabemos sobre o vetor do calazar ?








Do ponto de vista epidemiológico, destacam-se os gêneros Phlebotomus e Lutzomyia, implicados na transmissão das leishmanioses, bartonelose e de várias arboviroses.

Os flebotomíneos medem de dois a três milímetros de comprimento e apresentam o corpo densamente revestido por cerdas e escamas, propriedades que lhes confere um aspecto piloso e amarelado sob luz incidente. Quando em repouso, as asas dos flebotomíneos permanecem eretas, divergentes e afastadas do corpo (Figura 1). Em função destas características, são vulgarmente conhecidos como “mosquito-palha”, “cangalhinha” ou “asa dura”.





Figura 1: Lutzomyia sp. Aspecto geral de macho adulto



Os flebotomíneos são insetos holometábolos, que apresentam metamorfose completa, onde as formas larvais diferem drasticamente dos indivíduos adultos. O ciclo de vida dos membros da sub-família Phlebotominae compreende os estágios de ovo, larva (quatro ínstares), pupa e adulto, estendendo-se por um período que pode variar de 30 a 100 dias, dependendo da espécie considerada e das condições ambientais verificadas durante o desenvolvimento dos insetos. As posturas são efetuadas diretamente no solo, em locais úmidos, sombreados e ricos em matéria orgânica em decomposição. Os ovos apresentam coloração variada, tendendo a adquirirem tonalidades escuras 24 horas após a sua expulsão do corpo do inseto (Figura 2A). A eclosão dos ovos ocorre entre sete e 17 dias após a postura, desde que as condições ambientais mantenham-se favoráveis. As larvas apresentam aspecto vermiforme, alongado e achatado no sentido dorso-ventral, conforme pode ser visto na Figura 2A.









Figura 2: Lutzomyia sp. Ovo e larva de flebótomo (A); e pupa (B)



As larvas desenvolvem-se em ambientes úmidos como o solo das tocas de animais, restos de folhas caídas, ocos de raízes de árvores ou sob rochas, alimentando-se da matéria orgânica em decomposição encontrada nestes locais. Antes de se transformarem em pupas, as larvas param de se alimentar e procuram locais menos úmidos, onde se fixam a um substrato. As pupas dos flebotomíneos assumem posição ereta, sendo fixadas ao substrato pela extremidade posterior (Figura 2B). A emergência dos adultos ocorre após 7 a 12 dias, com os machos geralmente emergindo antes do que as fêmeas.

Os flebotomíneos apresentam hábitos noturnos, embora algumas espécies possam se mostrar ativas mesmo durante o dia. Quando não se encontram em atividade, refugiam-se em locais escuros, úmidos e abrigados, como fendas de rochas, paredes ou troncos de árvores. Os insetos adultos alimentam-se de substâncias açucaradas encontradas na natureza (seivas vegetais, néctar, etc), sendo a hematofagia característica exclusiva das fêmeas, observada durante o seu período reprodutivo. As fêmeas podem incluir como fonte de sangue representantes de todas as ordens de vertebrados, havendo espécies mais promíscuas do que outras, no que concerne às preferências alimentares.



O gênero Lutzomyia apresenta cerca de 400 espécies, as quais são agrupadas em 15 sub-gêneros e 11 grupos de espécies, além de um grupo de espécies que não se enquadra em nenhuma destas sub-divisões. Do total de espécies do gênero, cerca de 30 estão descritas na literatura como vetores comprovados ou prováveis das leishmanioses humanas nas Américas, enquanto algumas outras podem atuar como vetoras da Bartonella bacilliformis (agente etiológico da bartonelose), e de várias arboviroses. A grande maioria no entanto, não apresentam importância médico-veterinária comprovada.

Os membros adultos do gênero Lutzomyia necessitam de carboidratos como fonte de energia, que podem ser obtidos a partir de seivas vegetais. No que se refere às fontes de repasto sangüíneo, os membros deste gênero podem incluir uma grande variedade de animais, incluindo representantes de todas as ordens de vertebrados.

Algumas espécies de Lutzomyia destacam-se por apresentar uma extrema afinidade pelo homem (antropofilia), picando-o em diferentes circunstâncias. O grau de antropofilia varia tanto entre espécies, quanto entre diferentes populações, inseridas em contextos ecológicos distintos. A maioria dos membros deste gênero são exofílicas, picando as pessoas no ambiente extra-domiciliar, durante a realização de atividades extrativistas e/ou agrícolas na mata (e.g. L. whitmani e L. trapidoi). No entanto, algumas outras espécies (e.g. L. longipalpis, L. intermedia e L. gomezi) adaptaram-se perfeitamente aos ambientes intra- e peridomiciliar, atraídas pela presença do homem e dos seus animais domésticos, além de serem atraídos pela luz artificial geralmente encontrada nestes ambientes.

Métodos de captura e preservação dos flebotomíneos

Existem diversas técnicas de captura e preservação para os flebotomíneos, utilizadas na dependência dos objetivos da investigação, assim como do grau de conhecimento da fauna flebotomínica local. Nos locais onde os dados entomológicos são escassos é indicada a utilização de diferentes métodos que possibilitem a determinação do espectro de espécies neles encontradas.

As capturas podem ser conduzidas durante o dia, através da pesquisa de locais como tocas de animais, cavernas, o dorso das folhas de arbustos e árvores, fendas encontradas em rochas ou árvores, etc. A forma mais simples de coletar os flebotomíneos consiste no emprego de capturadores manuais de sucção (e.g. capturador de Castro), que possibilitam a captura dos insetos nas superfícies onde eles se encontram pousados.

No que se refere às coletas noturnas, estas podem ser também efetuadas com capturadores manuais e lanternas, nos ambientes intra- e peridomiciliar, estando incluídas neste último os currais e chiqueiros onde os indivíduos criam seus animais domésticos (bois, porcos, ovinos, etc.). Uma outra alternativa consiste na utilização de armadilhas luminosas, que tomam como base o fototropismo positivo característico dos flebotomíneos em geral. Como exemplo destas armadilhas podem ser citadas as armadilhas de Shannon e as do tipo CDC. Em alguns casos, pode-se lançar mão de outros métodos de captura, como aqueles baseados na utilização de superfícies adesivas para a apreensão dos insetos (e.g. armadilha de Disney).

Após a captura, a etapa seguinte consiste na preservação do material obtido, tomando-se o cuidado para que o manuseios dos espécimes não comprometam a sua qualidade. Os flebótomos podem ser mortos através de congelamento em gelo seco (CO2) ou freezer a -20o C, exposição ao sol ou em câmara mortuária, através da utilização de éter ou clorofórmio. O material coletado poderá ser mantido seco ou em álcool etílico 70%, até o momento da preparação.



Em Pernambuco, já foram encontradas mais de trinta espécies do gênero Lutzomyia, das quais cinco apresentam importância epidemiológica, suspeita ou comporvada: L. longipalpis, L. whitmanni, L. intermedia, L. migonei e L. evandroi. Destas, a L. longipalpis encontra-se envolvida na transmissão do calazar, enquanto que as demais estão relacionadas à transmissão da leishmaniose de forma cutânea.

No que se refere a distribuição geográfica das espécies de Lutzomyia epidemiologicamente importantes no Estado de Pernambuco, tem-se o seguinte quadro: a L. longipalpis predomina na faixa litorânea, em algumas áreas do agreste e em todo o sertão, estando aparentemente ausente na Zona da Mata. A L. whitmanni, por sua vez, predomina na Zona da Mata, enquanto que as espécies L. evandroi, L. migonei e L. intermedia são encontradas praticamente ao longo de todo o Estado, em maior ou menor densidade, a depender da região considerada.

Observa-se, em relação ao quadro das leishmanioses em Pernambuco, uma concordância entre os inquéritos entomológicos e epidemiológicos disponíveis, realizados pela Fundação Nacional de Saúde (FNS) e pela iniciativa de grupos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães. Assim, é claro o predomínio do calazar nas áreas de proliferação intensa da L. longipalpis,, o mesmo se aplicando às L. whitmanni, L. intermedia e L. migonei, em relação àquelas áreas onde se constata a ocorrência da Leishmaniose Tegumentar.
https://www.ufpe.br/biolmol/Phlebotominae_on-line/introducao.htm

sábado, 10 de setembro de 2016

Conhece alguém que tenha catarata?




O termo “catarata” é dado para qualquer tipo de
perdade transparência do cristalino, lente situada atrás da íris, seja ela congênita ou adquirida, independente de causar ou não prejuízos à visão. Passa a se desenvolver quando proteínas passam a se acumular ali, impedindo a entrada de luz no olho. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a catarata é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa. Atualmente, o único tratamento disponível para a catarata é remover cirurgicamente a lente nublado a partir do olho e substituindo-o por uma lente artificial.

Cientistas na Califórnia descobriram que um colírio feito com lanosterol (um esteroide) é capaz de derreter cataratas e impedi-los de retorno quando administrado aos pacientes através de gotas para os olhos. Se aprovado para uso humano, o composto pode estar disponível como um tratamento não-invasivo para indivíduos com formas moderadas de cataratas.



Para o estudo, foi testado lanosterol em cristalinos humanos doados e em animais vivos, como coelhos e cães. Os resultados mostraram repetidamente que lanosterol foi capaz de reduzir significativamente o tamanho de catarata.

Apesar de ainda não ter sido testada em seres humanos, o estudo já está causando excitação, sendo considerado o mais promissor na área dos últimos anos.



QUER SABER MAIS?

A catarata é uma opacidade do cristalino (lente natural do olho). Para pessoas que têm catarata tem a visão nublada, como se olhassem por uma janela embaçada ou enevoada. Essa visão nublada pode tornar mais difíceis tarefas como ler, dirigir um carro ou interpretar a expressão das pessoas.

A maioria das cataratas se desenvolve lentamente e não perturba a sua visão desde o início. Mas com o tempo, a catarata acabará por interferir na visão.

Em um primeiro momento, iluminação mais forte e uso de óculos podem ajudar a lidar com a catarata. Mas se a visão prejudicada interfere com as atividades normais, é necessário fazer a cirurgia de catarata. Felizmente, a cirurgia de catarata costuma ser um procedimento seguro e eficaz.
Tipos

Catarata relacionada à idade

Também chamada de catarata senil, essa forma da doença ocorre por causa do envelhecimento. A catarata relacionada à idade é dividida em três tipos, dependendo de sua localização:
Cataratas nucleares se formam no centro da lente, tornando o núcleo do olho turvo ou opaco. O centro do olho pode ficar com uma coloração amarela ou castanha
Catarata cortical aparece na forma de cunha e em volta das extremidades do núcleo
Catarata subcapsular posterior se formar mais rapidamente do que os outros dois tipos, e afeta a parte de trás da lente.
Catarata congênita

A catarata congênita está presente no nascimento ou se forma durante o primeiro ano de um bebê. Esse tipo é menos comum do que catarata relacionada à idade. Esse tipo de catarata nem sempre apresenta sintomas e pode ser removida se ela interfere com a visão do bebê. A catarata congênita pode se desenvolver se a mãe tiver uma infecção ou abusa de substância como drogas e álcool durante a gravidez. A catarata congênita ocorre em um a cada 5 mil nascimentos.

Catarata secundária

Cataratas secundárias são causadas por doenças ou medicamentos. As doenças que estão associadas ao desenvolvimento de cataratas incluem glaucoma e diabetes. O uso de medicamentos esteroides pode levar à catarata.
Catarata traumática

Cataratas traumáticas se desenvolvem após uma lesão no olho, embora possa levar vários anos após o evento para que isso aconteça.
Catarata de radiação

Cataratas de radiação podem se formar depois que um paciente passa por tratamento envolvendo radiação para tratar o câncer, por exemplo.

Fonte: http://diariodebiologia.com/

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Veterinários identificam primeiro caso de cachorros gêmeos idênticos!!




Que uma cachorra dá à luz vários filhotes por ninhada, todo mundo já sabe: nascem de 2 a 10 bebezinhos, dependendo do porte e da raça. Entretanto, apesar de todos esses filhotes serem “gêmeos”, nunca havia sido comprovada a existência de gêmeos idênticos, ou seja, monozigóticos. Isso acaba de mudar! Veterinários da África do Sul descobriram um par de irmãozinhos caninos originário de um único óvulo e um único espermatozoide.

O dono de uma cadelinha lébrel irlandesa levou seu pet ao veterinário para exames com os filhotes que estavam prestes a nascer. Posteriormente, exames realizados na Universidade de Pretória comprovaram que se tratava do primeiro caso conhecido de irmãos caninos que dividem o mesmíssimo código de DNA.

Foi justamente através da análise do código genético que o veterinário Kurt de Cramer pôde comprovar que os dois machinhos são idênticos. O trabalho de parto da cachorrinha durou duas horas. Depois que sete filhotes já haviam nascido, Cramer notou mais um filhote a caminho: só que o que era para ser apenas um se mostrou como dois cachorros dividindo uma única placenta!

Irmãozinhos dividem o mesmo código genético

O veterinário imaginou que eles poderiam ser monozigóticos, principalmente por serem do mesmo sexo e apresentarem manchas bastante semelhantes. Ele fez exames iniciais de sangue e comprovou sua suspeita. Só que, como isso seria uma novidade na medicina veterinária, a equipe veterinária foi cautelosa com a informação. Quando os animais estavam com 6 semanas de idade, um exame de DNA acabou com qualquer dúvida que poderia surgir.

Entretanto, é importante salientar que, apesar de estes serem os primeiros irmãos caninos idênticos já identificados, eles podem não ser os únicos. “Nós tivemos a sorte de poder confirmá-los geneticamente”, explicou a cientista Carolyne Joone, que coordenou os exames de sangue nos animais.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

VOCÊ SABE COMO É A REPRODUÇÃO DAS MINHOCAS?






Esses animais anelídeos são hermafroditas, ou seja, possuem os dois sexos – portanto, são capazes de fecundar e serem fecundados ao mesmo tempo. Mesmo assim, a minhoca não pode fecundar a si mesma: ela precisa de uma parceira. O processo dura cerca de três horas, gera entre três e 20 “filhotes” e pode acontecer várias vezes ao ano. Como cada minhoca vive, em média, quatro anos, fica fácil entender por que esses bichos se multiplicam rapidinho no seu quintal.

1. As minhocas se posicionam em sentido oposto: a “cabeça” de uma fica na altura do “rabo” da outra. O clitelo, um anel descolorido na região anterior do corpo, libera um muco que ajuda a fixá-las nessa posição. Aí, cada uma injeta espermatozoides num órgão específico da outra: uma bolsa chamada espermateca.




2. Depois que elas se separam, o clitelo passa a criar um tipo de casca, parecido com o casulo das borboletas. A minhoca começa a andar para trás, arrastando o clitelo no chão para mover o casulo ao longo do corpo até chegar à cabeça. Nesse “caminho”, ele passa pela abertura feminina, onde recolhe os óvulos, e os leva até as espermatecas.




3. Quando os óvulos (gametas femininos) encontram os espermatozoides (gametas masculinos), rola o momento mágico: a fecundação! A minhocacontinua se movendo, até tirar o casulo do corpo. Ele é deixado no solo e protegerá os óvulos fecundados enquanto se desenvolvem, sem qualquer supervisão dos “pais”. O desenvolvimento dos filhotes no casulo pode durar de duas semanas até três meses, dependendo da espécie.Quando saírem de lá, os filhotes já têm corpo adulto.

CONSULTORIA Paulo César de Paiva, especialista em anelídeos do Departamento de Zoologia da UFRJ
http://mundoestranho.abril.com.br/